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A Deusa Tríade


Um Texto Desconhecido de Gerald Gardner
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Neste pequeno ensaio, eu pretendo apresentar ao leitor um pouco da teologia do Wica. Eu estou fazendo isto por duas razões fundamentais. A primeira é que existem pessoas completamente inconscientes que a bruxaria é uma religião; elas olham-na como algo vago que pretende lançar areia aos olhos. A segunda é tentar ajudar essas pessoas, que como eu têm uma grande simpatia pela Arte, a compreendê-la um pouco mais. Eu tenho de confessar, enfaticamente, que eu não sou um grande perito em teologia da bruxaria. Eu sou um bruxo praticante que despendeu muito tempo a tentar entender as implicações mais profundas da sua religião. Uma religião que adora uma Deusa e que, desde há muito, proclamou os seus princípios de fertilidade pelos quatro cantos do globo. 

O nome pelo o qual eu adoro a Deusa estou proibido de revelar. Ela é bastante conhecida pelos estudantes de mitologia e folclore por uma grande variedade de nomes. Isto coloca desde o inicio alguns problemas, em saber como é que várias Deusas mitológicas pagãs podem ser uma e a mesma pessoa? Eu sinto que a resposta pode ser encontrada a partir de uma declaração de Voltaire, "que o homem criou Deus à sua própria imagem". Uma declaração que poucas pessoas que eu encontrei parecem ser capazes de entenderem. 
 

Claro que os homens têm que ver os seus Deuses e suas Deusas como suas próprias criações, desde que limitem a sua visão às suas ideias físicas de uma deidade particular. Uma vez uma pessoa comece a criar, ao invés de interpretar, a mente de uma deidade, então começa a sair fora dos limites. Uma representação física é apenas um símile mental para permitir uma compreensão mais fácil de algo mais complexo. Assim poderia ser dito que não há tal coisa como um Deus ou Deusa mitológica. Por exemplo, Afrodite realmente existiu porque há uma sua escultura romana muita boa no Museu Nacional de Nápoles, ela foi também descrita num mural em Pompeia e foi representada artisticamente em muitos lugares e em muitas épocas. Tais representações não são imagens artísticas de algo que nunca existiu, elas são expressões físicas de algo muito real, mas algo que teve de ser criado, pelo menos fisicamente, aos olhos do observador. 
 

Afrodite

Muitos destes tipos de arte mostram um aspecto triplo do Deus ou Deusa que eles representam. Um exemplo muito bom é a escultura tricéfala de Cernunnos no Beaune Museum. Tripla, dual e com varios aspectos combinados de outras deidades foram realmente conhecidos por muito tempo na literatura, arte e pelos estudantes de religiões comparativas. Existia, e existem, muitos tricéfalos, muito deles são mais antigos que a representação Cristã de Deus Pai, Filho e Espirito Santo. 
 

Cernunos - tricéfalo

Algumas destas trindades são compostas de três deidades separadas numa triuna adoração. Um exemplo desses é a tríade de Brahma, Vishnu e Shiva, respectivamente o criador, preservador e (de acordo com algumas autoridades) o destruidor da vida e da matéria. Eu sinto que a palavra " transformador " seria mais adequada do que a de destruidor. 

Todo o tipo de interpretações podem ser, e têm sido, postas em relação com várias trindades de diferentes religiões. Estes argumentos dão matéria bastante para muitas páginas de debate provavelmente insensato. Tudo aquilo com que eu estou preocupado aqui é com o aspecto triplo da Deusa das Bruxas, e para mim as minhas visões estão absolutamente correctas. Eu não pretendo que elas sejam igualmente correctas para outras pessoas. Haveria algo de errado se assim fosse. Eu pretendo simplesmente fazer as pessoas pensarem, se possível construtivamente, e ao mesmo tempo talvez ajude aqueles que não conhecem a Deusa a entenderem um pouco a sua natureza. 

A tríade da Deusa à qual eu me refiro pode ser simplificada pelas palavras AMOR: MORTE: RENASCIMENTO. Note que o ciclo começa com amor, e não com nascimento. Começar um tal ciclo trinitário com o nascimento é inútil, já que a ideia completa terminaria com a morte, que existe praticamente em todas religiões, especialmente no Wica, onde a reencarnação é uma doutrina básica. 
 

Consideremos em primeiro lugar cada um dos três aspectos da Deusa separadamente e comecemos pelo amor. A palavra amor teve uma longa e labiríntica carreira filológica, e normalmente termina significando o que a pessoa quiser que ela signifique. Como isto é importante eu tentarei explicar a palavra no contexto que eu estou usando. Para mim o amor da Deusa não é definitivamente o amor romântico dos poetas, o pranto e a ânsia dum amor sempre insatisfeito. O aspecto amor da Deusa é vivo, arrebatado e gratificante. Deve ser assim para qualquer pessoa que compreenda o que o verdadeiro conceito de fertilidade significou para os seus seguidores no passado. Quando as pessoas eram poucas e havia uma taxa elevada de mortalidade, a reprodução era a necessidade mais urgente. O amor da Deusa encorajou isso. Eu penso que isto está bem resumido nas palavras de Robert Herrick no seu poema , "Corinna's Going - A - Maying"

" Com mil virgens neste dia/ 
Pule mais cedo que a cotovia para as ir buscar em Maio " (1)

e novamente: 

" E peca-se menos como nós estivemos fazendo, 
Minha Corinna, vem vamos dançar o Maio".

As últimas duas linhas da citação também ajudam a enfatizar um outro ponto importante do amor da Deusa, que está além da mortalidade. Para o leitor, que seja hábil a doutrinar, eu sinto que deveria realçar que esta é uma declaração simples com um significado simples. 

A parte seguinte do aspecto triplo é a morte. Uma vez seja superada em pensamento a rejeição natural da morte será notório a qualquer pessoa que segue os caminhos do Wica, que ela é uma parte necessária do ciclo. Para renascer você tem de morrer, ao morrer você pode renascer. 
 

O aspecto morte da Deusa provavelmente é o mais amplamente conhecido, mas também o mais usualmente mal interpretado. É o aspecto Anciã, o modelo da velha megera apoiada num cabo de vassoura, usada durante gerações e gerações para assustar as crianças, junto com os espantalhos. Mas a sua verdadeira imagem não nos está assustando, pelo contrário, está-nos confortando. Na verdade, os retratos físicos dão-nos pouca consolação, como ilustram a anciã e a poderosa e invencível Deusa da morte súbita, a grega Artemis. Mas como pode tal imagem ser representada? 

O significado importante a reter è que na morte nós regressamos à Deusa para repouso e regeneração (do tipo espiritual), antes de começar a nossa próxima jornada. Se em vez de uma velha decrépita nós imaginássemos uma mulher velha e sábia, ela própria além da morte e do tempo, sempre pronta a tomar o que devemos doar, eu penso que a ideia seria um pouco mais simples. Sem irmos à Deusa da morte, nós nunca alcançaremos a Deusa da vida. 
 

A parte final da tríade é o renascimento. Este é talvez o elemento mais fácil de compreender já que é a Grande Mãe Universal que é aqui referida. Muitas pessoas reconhecem a Sua presença, de forma um pouco secundária, sob a designação de Mãe Natureza. Ela é o ideal de fertilidade em todas as coisas, nos homens, nos animais e nas colheitas. Ela foi adorada desde os tempos mais recuados. Uma das melhores e, para mim, uma das Suas mais belas representações vem do período Aurignaciano da era Paleolítica. Trata-se simplesmente de uma estatueta de fêmea de pequenas proporções, com os detalhes da sua nudez descurados. O artista porém fez as proporções dos peitos, barriga e quadris imensamente exageradas, sugestivo de uma mulher numa fase avançada de gravidez. 
 

De um mais recente período é a estátua de Artemis de Ephesus. Aqui a Deusa está da cintura para cima desnuda, e de proporções normais, excepto que Ela é retractada com numerosos peitos no tórax. Também é importante notar que o Seu vestido, ombros e barrete tem figuras minúsculas que precisam da Sua fecundidade para existirem. 

Ela é a Mãe Poderosa, a portadora de toda a fecundidade que era antigamente evocada pelas flores dos campos e pela própria vida. Sem Ela nada havia. Os Seus desejos deveriam ser respeitados, e a Sua adoração nunca esquecida. É através do crescimento de tal adoração da Mãe que a religião matriarcal da Bruxaria se desenvolveu. 
 

Artemis de Ephesus

Agora que a tríade da Deusa foi dissecada, alguns estarão desejosos de saber como são elas conectadas a um ser místico, a Deusa? 

Esta é novamente uma questão para a mente individual questionar. Ajudará saber, porém, se eu me referir ao velho costume da matança do Rei Divino. Havia o hábito de matar os Reis de um povo para apaziguar a Deusa e assegurar a fertilidade e a paz entre os seus seguidores. 

Isto pode parecer um exemplo bastante peculiar para representar a Deusa como una em todos os seus aspectos, até que seja examinada de mais perto. Os Reis reinaram durante vários tempos, por vezes um ano, ou sete anos, ou até que o próximo Rei o derrotasse e o matasse. Como J.G. Frazer mostra os costumes variam ligeiramente de lugar para lugar. 

Quase sem excepção o Rei desfrutava durante todo o seu período de vida dos prazeres físicos da Rainha que frequentemente era também a Alta Sacerdotisa. Isto acontecia mesmo quando eram usados substitutos dos reis, para salvar o verdadeiro Rei; mesmo assim os favores da Rainha eram concedidos. Assim, o Rei formou uma união simbólica com a Rainha que era a representante vivente da Deusa do amor. Depois deste acto o Rei era enviado para os braços da Negra Annis, a Deusa da morte, para ser renascido novamente pela Grande Mãe, a Deusa da vida. Ao mesmo tempo, o próprio Rei também tomava parte no ritual da fertilidade sendo sacrificado para beneficio das colheitas, gado e das crianças. 
 

Eu espero ter explicado, até certo ponto, a Deusa do Wica. Nem sempre se pode explicar tudo e o melhor lugar para procurar a Deusa está na sua própria mente. 

" Escutais as palavras da Deusa Estrela. Ela, que na poeira de seus pés traz as hostes do Céu e cujo corpo circunda o Universo ". 

(1) "Whereas a thousand virgins on this day / Spring sooner than the lark to fetch in May".
(2) "And sin no more as we have done by staying, / But, my Corinna, come let's go a Maying."

Gerald Brosseau Gardner, circa 1958 
Tradução de Gilberto de Lascariz 

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