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Manual de Auto-transformação

 
Marcelo Bolshaw Gomes
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1) Primeiro seja você mesmo, depois deseje melhorar. O importante é Ser e não ‘dever ser’. Geralmente, coloca-se o carro na frente dos bois: quando se pensa em desenvolvimento pessoal ou em mudança de hábitos, as pessoas tentam ‘corrigir os seus defeitos’ e não em desenvolver suas qualidades. Tentando ser aquilo que não são e, repetidamente, fracassando, tornando-se céticos ou mesmos fracassados renitentes. O ‘correto’, no entanto, é primeiro assumir-se como um todo e não negar-se em parte. Em contrapartida, se investir no desenvolvimento das qualidades, até mesmo os aspectos que considerados negativos ganham outro significado. 

2) Mudar a relação vertical entre a Personalidade e a Individualidade. Somos naturalmente mentirosos porque negamos que somos realmente. No esforço para ser o que se é certamente a pessoa necessitará desenvolver a qualidade da sinceridade para consigo e com os outros. Assim, não basta simplesmente Ser, é preciso ser verdadeiro. Colocar a própria vida em suas idéias e as próprias idéias em sua vida. 

3) Mudar a relação horizontal entre o Eu e o Outro. Se conscientemente assumir seus defeitos ao lado de suas qualidades e buscar ser coerente com o que diz, o sujeito da transformação já estará desencadeando uma grande mudança, não apenas na sua personalidade falsa que construiu para sobreviver, mas, sobretudo, com as pessoas de sua convivência mais próxima. Cuidado! Ser verdadeiro em um mundo falso pode ser bastante perigoso. As pessoas se sentem ameaças com alguém que realmente é o que efetivamente diz ser. 

4) Integrando o Outro em Si, descobre-se que o mundo é uma projeção. Boa parte da capacidade de transformação do ser humana está em mudar o Outro dentro de si. Quando descobrimos o outro em nós mesmos, então, começamos a trabalhar nossas mudanças através de diferentes polaridades: eu masculino x eu feminino, eu filho x eu pai, eu chefe e eu chefiado, etc … 

5) Recordar e planejar das fases da vida. Recordar não é relembrar, é reviver as feridas do inconsciente e fecha-las. Entender o que pode ser modificado imediatamente e o que não pode é observar em que fase da vida a pessoa que deseja se transformar está. Cada fase da vida tem um objetivo, e a verdadeira sabedoria está em saber viver cada desafio ao seu tempo. 

6) Da autonomia e da dependência recíproca. Somos partes de redes de relacionamentos de desenvolvimento espiritual. Para conseguir nos transformarmos precisa de energia. Ninguém pode se desenrolar sozinho das redes de relações em que se envolveu. Quando várias pessoas têm um propósito comum, a energia total é mais do que a energia individual de cada um. Esse ganho de energia propicia que cada um tenha mais energia para cumprir sua mudança do que se a tivesse intentado sozinho. 

1. Primeiro seja você mesmo, depois deseje melhorar. O importante é Ser e não ‘dever ser’. Geralmente, coloca-se o carro na frente dos bois: quando se pensa em desenvolvimento pessoal ou em mudança de hábitos, as pessoas tentam ‘corrigir os seus defeitos’ e não desenvolver suas qualidades. Tentando ser aquilo que não são e, repetidamente, fracassam, tornando-se céticos ou mesmos fracassados renitentes. O ‘correto’, no entanto, é primeiro assumir-se como um todo e não negar-se em parte. Em contrapartida, se investir no desenvolvimento das qualidades, até mesmo os aspectos que considerados negativos ganham outro significado.

Ora, “tudo que se esconde, cresce; e tudo que se expõe, se for errado, desaparece” - afirma o líder espiritualista Bhagwan Shree Rajneesh, o Osho (OSHO, 1999, 163). A vulnerabilidade acaba com a falsidade do ego e permite retornar à inocência original com maturidade. No momento em que você se aceita, torna-se aberto, vulnerável e receptivo. Por isso, “viva a gratidão do ser e não a neurose do dever ser” (OSHO, 2004, 169). É preciso Ser e não ‘tornar-se’. A pessoa deve ser total em cada ato, procurar ser integral, espontâneo, intenso, autêntico - imediatamente e a cada segundo. E ‘Ser-aquele-que-é’ é a consciência contínua da percepção imediata do presente. A consciência, o Ser, é a ‘lembrança de si’, como dizia o místico armênio George Ivanovitch Gurdjieff (OUSPENSKY, 1980, 53), e a mente, o esquecimento e a imaginação. A mente está sempre no passado e no futuro, a consciência é, ao menos parcialmente, a percepção contínua do presente.

Digo ‘parcialmente’ porque a Consciência além da dimensão perceptiva (conscience) tem também uma dimensão ética e deve levar em conta os valores que a contextualiza, é a chamada consciência moral (consciouness). O desenvolvimento da dimensão perceptiva da consciência se dá, em diferentes tradições espirituais e esotéricas, através do treinamento da Atenção. O desenvolvimento do aspecto ético da consciência - o ‘ser no mundo’ dos filósofos - só é possível através de sucessivas mudanças pessoais de valores. A consciência como equivalente à percepção sensorial da realidade remonta à cognição dos invertebrados, ao ‘cérebro réptil’ ou à capacidade de agir instintivamente. Porém, o aspecto moral da consciência - aliado à memória e à cognição coletiva - “programa a percepção numa espécie de codificação dividida em coisas ‘boas e nutritivas’ (para as que se sente atraído) e ‘perigosas e tóxicas’ (as que evita ou ataca)” (WILSON, 1987, 1).

2. A relação vertical entre Personalidade e Individualidade. Somos naturalmente mentirosos porque negamos que somos realmente. No esforço para ser o que se é certamente a pessoa necessitará desenvolver a qualidade da sinceridade para consigo e com os outros. Assim, não basta simplesmente Ser, é preciso ser verdadeiro. Colocar a própria vida em suas idéias e as próprias idéias em sua vida.

Para o nagual mexicano Don Miguel Ruiz (2005), somos “domesticados através do medo”, nos tornamos escravos das expectativas alheias e de nossas próprias exigências. Medo não simplesmente de ser punido ou morto, mas principalmente de ser rejeitado, de não ser amado. A sociedade destrói nossa autoconfiança e nos ensina a confiar nas instituições e no sistema de crenças. Uma vez que se não confia em si, não confia mais em ninguém e se passa a crer em idéias abstratas, encaixando-se nas configurações sociais. A própria sociedade nada mais é que uma crença que depende de outras e toda sua estrutura é auto-hipnótica. Com a socialização, se perde a confiança, se adota crenças e se elaboram máscaras para esconder nossa intimidade dos outros.

E mais: para Ruiz, o sistema de crenças é uma estrutura parasita de energia.   Para ele, vivemos em um sonho coletivo fabricado que nos aliena de nossos sonhos pessoais e nos mantêm cativos na realidade. Somos prisioneiros uma ‘Matrix’ formado por nossas crenças e valores. Nos meios esotéricos chama-se de Personalidade a este ‘eu falso’, construído a partir do medo e das exigências da socialização, e de Individualidade ao ‘eu verdadeiro’. O ponto de partida para Transformação é a oposição entre aparência e essência. Prefiro pensar na Personalidade como os 40% da identidade pessoal que pode ser modificada (as sinapses móveis entre os neurônios) e na Individualidade como o que não se pode mudar (os circuitos cerebrais fixos, que se formam ao longo da vida).

Em Simetria e Paradoxo (2008, 07-22), seguindo a releitura que Wilson (1987) fez de Leary (1961), defini Personalidade como Cognição Ordinária, formada por quatro circuitos integrados: o circuito da sobrevivência (ou a Consciência), o circuito das emoções (ou o Ego), o circuito da linguagem (ou Mente) e o circuito sócio-sexual (ou a Personalidade); e Individualidade como Cognição Extraordinária, formada por: o circuito neurosomático, o circuito neuroelétrico, o circuito neurogenético e o circuito neuroatômico. Essa forma de ver a polaridade entre Personalidade e Individualidade, embora não esteja equivocada de todo, é ainda muito complicada e esquemática, diante do modelo simples e complexo das sinapses fixas e móveis.

De toda forma, a Personalidade é uma estrutura identitária construída por nós (por nossa consciência) através do medo dos outros, um espelho para nos vermos através dos outros porque tememos olhar para nós mesmos, face-a-face. Embora algumas tradições recomendem a liquidação da Personalidade (ou do ego) para que a Individualidade (também chamado de Self ou Eu superior) possa emergir, é preferível reformar as máscaras a rasgá-las. A função da Personalidade é interpretar a Individualidade e não a esconder ou reprimir. É como uma vitrine que apresenta ao conteúdo da loja, não adianta quebra-la ou subtraí-la, é preciso reorganizá-la. 

Atores e atrizes de teatro costumam ‘se trabalhar’ escolhendo personagens com aspectos semelhantes aos de suas personalidades, como uma forma de reinterpretá-los e superá-los, além de lapidar a própria individualidade.

Taisha Abelar, no texto A Arte da Feitiçaria, conta com seus instrutores em seu aprendizado para ser bruxa, a fizeram passar por quatro personagens diferentes, através da arte da loucura controlada. A principal diferença entre a arte dramática e essa técnica de desenvolvimento é que os atores de teatro assumem seus personagens durante os espetáculos e depois voltam a sua personalidade ordinária, enquanto os feiticeiros assumem um personagem como sua personalidade permanente durante longos períodos de tempo, como uma forma de reverter o condicionamento social a que foram submetidos na infância e adolescência.

Para serem efetivos, os processos de transformação pessoal (e/ou de descondicionamento do aprendizado social através do medo) devem começar simultaneamente com a expressão da Individualidade (a aceitação das limitações e a exposição dos ‘defeitos’) e a reforma da Personalidade (a desprogramação de medos e desejos, reprogramação de novas rotinas).  Porém, é mais importante a expressão de 60% da psique (ser-o-que-se-é) do que reformar sua fachada.

É como diz a conhecida prece: “Daí-me a força de vontade para mudar o que pode ser mudado; a humildade para aceitar o que não pode; e a consciência para discernir entre as duas situações”. Aceitar o que não pode ser mudado (a Individualidade) e investir no que pode ser modificado (a Personalidade). Aceitar a Individualidade não significa se conformar com aquilo que se é, mas simplesmente não esconder. E investir na Personalidade não é modelar comportamentos a esmo, sob o pretexto teatral ou da arte da loucura controlada. E sim conhecer e ampliar seus limites.

3. A relação horizontal entre o Eu e o Outro. Se assumirmos nossos defeitos ao lado de nossas qualidades e buscamos ser coerentes com o que dizemos já estaremos desencadeando um vigoroso processo de transformação, não apenas na personalidade falsa que construímos para sobreviver, mas, sobretudo, em nossa volta, com as pessoas de nossa convivência. Cuidado! Ser verdadeiro em um mundo falso pode ser bastante perigoso. As pessoas se sentem ameaças com alguém que vence o medo de não ser amado e realmente é o que efetivamente diz ser; e se apaixonam e/ou tentam destruí-las - e não necessariamente nessa ordem.

O tempo é horizontal e a eternidade é vertical. Horizontalmente, somos todos iguais, nivelados pela morte; porém, há alguns que estão mais próximos da eternidade do que outros. Gurdjieff diz que os animais vivem suas vidas horizontalmente, apenas alguns homens, ao entrar em contato vertical com a eternidade adquirem uma alma (OUSPENSKY, 1980, 89). Segundo Rajneesh, o homem que se move verticalmente é como um espelho (OSHO, 2005, 103), em que os outros homens (que se movem exclusivamente na horizontal) se vêem. E esse efeito de espelho, ao mesmo tempo que confere uma autoridade natural sobre os homens indiferenciados, gera também várias ataques, projeções, mal-entendidos, transferências, paixões, agressões além de uma solidão ainda mais singularizante.

James Redfield, na Profecia Celestina, na quarta Visão, diz que vivemos involuntariamente tentando manipular ou dominar a atenção dos outros. “Quando se consegue conquistar a atenção de uma pessoa, absorve-se também a energia dela, o que nos torna mais fortes e a enfraquece”. Com freqüência as pessoas se rebelam contra essa usurpação da sua força, gerando uma luta pelo poder, uma guerra invisível de todos contra todos. “Todos os conflitos do mundo têm origem nessa luta pela energia humana.” Em outro trabalho, Jogos de Competição pela Energia, Redfield aprofunda ainda mais o tema. “Cada pessoa é um campo de energia consistindo num conjunto de teorias e crenças, que se irradiam e influenciam o mundo. Todo mundo tem um conjunto único de teorias e estilo de interação, que chamo de dramas de controle“. Esses “dramas” seguem um continuum que vai de muito passivo a muito agressivo. O mais passivo dos dramas de controle é a estratégia da vítima, ou o Coitado de Mim. Nesse drama, a pessoa, em vez de competir diretamente pela energia, procura ganhar atenção e deferência manipulando o sentimento de solidariedade. Outro drama de controle, um pouco menos passivo, é o do Distante. A pessoa se mostra distante, desligada, misteriosa em suas respostas. Um drama de controle mais agressivo, é o do Interrogador. Nessa estratégia de manipulação, a pessoa usa a crítica para adquirir energia dos outros. E o drama de controle mais agressivo é a estratégia do Intimidador. “A estratégia da pessoa intimidadora é ganhar a nossa atenção e assim a nossa energia, criando um ambiente em que nos sentimos tão ameaçados, que lhe damos toda a nossa atenção: quando alguém nos dá a impressão de que pode perder o controle ou fazer algo perigoso, nós fazemos questão de observá-la atentamente.”

O Amor próprio é a grande solução para vencer os dramas de controle e a manipulação mental, pois só reencontrando sua própria fonte de energia se consegue não necessitar da energia dos outros nem deixar que eles nos roubem a atenção. Como nos ensina o princípio basilar do cristianismo: Amar a Deus sobre todas as coisas (a relação vertical em primeiro lugar) e ao próximo como a si mesmo (a relação horizontal secundária), destacando-se que “como a si mesmo” significa na mesma proporção. Não se trata de amar a si mais que ao próximo (o egoísmo dos manipuladores) nem ao Outro mais que a Si mesmo (altruísmo dos manipulados). O importante, portanto, é investir no próprio desenvolvimento, aprofundando o vínculo com a fonte de energia e buscar se relacionar com pessoas que também buscam esta autonomia.

4. Integrando o Outro em Si, descobre-se que o mundo é uma projeção. Boa parte da capacidade de transformação do ser humana está em mudar o Outro dentro de si. Quando descobrimos o outro em nós mesmos, então, começamos a trabalhar nossas mudanças através de diferentes polaridades: eu masculino x eu feminino, eu filho x eu pai, eu chefe e eu chefiado, etc …

Há uma pequena de cura no xamanismo havaiano, o Ho’oponopono, em que o xamã agradece às pessoas que o procuram por trazer seus problemas, pois assim ele estará curando a si mesmo. A essência desta técnica é resolver os problemas dos outros dentro de si. Quando se tem um inimigo, por exemplo, é preciso compreender e agradecer pelos ensinamentos da inimizade e pedir desculpas por colocar o oponente (mesmo que involuntariamente) em uma situação de conflito. Só compreendendo o que despertou o conflito em si e no outro e agradecendo sinceramente pela descoberta, pode o praticante se libertar da situação. É como diz o xamã haviano Ihaleakala Hew Len: “ser 100% consciente, 100% responsável”. 

E, quando integramos o outro em nós mesmos, descobrimos que o mundo é uma projeção subjetiva coletiva, sustentada pelo sistema de crenças.

Don Miguel Ruiz (2005) diz que sonhamos o tempo todo (mesmo estamos sonhando: eu escrevendo e você lendo esse texto). Quando estamos acordados, nosso sonho tem um enquadramento perceptivo, a realidade, mas nossos pensamentos e sentimentos, todo sistema de crenças de nossa sociedade, fazem parte da atividade onírica, sendo que de forma coletiva.

Para Ruiz, há, assim, um sonho coletivo - ‘’sonho do inferno” ou ‘’sonho do planeta” - e nossos sonhos pessoais. Para Ruiz, é preciso retomar nossa capacidade de sonhar, libertando nosso sonho pessoal do sonho coletivo do medo de exclusão, sonho de domesticação social engendrado pela sociedade humana (por isso, no xamanismo tolteca há vários exercícios para o desenvolvimento do sonhar); e também é necessário, em conjunto com outros sonhadores consciente, compreender e transformar esse sonho social de destruição planetária, dando um salto evolutivo de grandes proporções para consciência humana.

Esta é a essência da Profecia Maia: quando a maioria dos homens sonharem com lucidez, talvez então o sonho coletivo sobre o planeta também se transformará, tornando-se consciente de si e de seu papel no universo. Se desenvolvermos a capacidade de sonhar conscientemente, vislumbraríamos um universo de possibilidades inimagináveis para a humanidade atual.

Miguel Ruiz foi criado pelo avô, Leonardo Macias, um autêntico nagual mexicano da linhagem dos Cavaleiros da Águia. No entanto, seduzido pela vida moderna, formou-se cirurgião e renegou a tradição familiar até que certo dia sofreu um acidente de carro, teve uma experiência de quase morte em que saiu do corpo e ajudou a salvar outros passageiros acidentados. Desde então se tornou a segunda grande referencia do xamanismo tolteca, com vários pontos em comuns e várias diferenças do ensinamento proposto pelos naguais don Juan Mathus e Carlos Castaneda.

Por exemplo: Ruiz fala da conquista da liberdade pessoal e não da liberdade total de Castaneda, é contra a auto-piedade mas não contra a compaixão, acredita na construção de um sonho sem medo (ou sem parasitas mentais) não é meramente individual, mas luta de guerreiros em favor da condição humana, entre outros paralelos. Em comum: a prática de movimentos mágicos e posturas corporais, a ênfase no silêncio interior (tradicional entre culturas espirituais nativas da América do Norte) e principalmente, a técnica de recapitulação dos eventos da vida. Ambos também minimizam o uso ritual das plantas de poder - comum no xamanismo tolteca.

5. Recordar e planejar das fases da vida. Recordar não é relembrar, é reviver as feridas do inconsciente e fecha-las. Entender o que pode ser modificado imediatamente e o que não pode é observar em que fase da vida a pessoa que deseja se transformar está. Cada fase da vida tem um objetivo, e a verdadeira sabedoria está em saber viver cada desafio ao seu tempo. 

A psicologia biográfica, estruturada no sistema de desenvolvimento baseado em ciclos de sete anos no desenvolvimento do ser humano em estágios de sete em sete anos, é um dos ramos da Antroposofia, elaborado pelo pensador alemão Rudof Steiner.

Seu método foi detalhadamente aplicado tanto no estudo de biografias como em práticas pedagógicas e terapêuticas e tem ampla comprovação empírica. Por exemplo, com base nesses princípios de desenvolvimento biográfico organizou-se a pedagogia Waldorf (que tem escolas em todo mundo); uma metodologia de estratégias etárias para recursos humanos adotada por várias empresas e uma abordagem médica que leva em conta a etapa da vida das pessoas.

Segundo os chineses, em uma vida “há 20 anos para crescer/aprender, 20 anos para lutar e 20 anos para alcançar a sabedoria”. A psicologia biográfica subscreve esta afirmação e ainda subdivide em setênios cada uma destas três grandes fases. Na primeira fase, do nascimento até os 21 anos, observa-se a formação do corpo e da personalidade em três etapas: até os 7 anos, dos 8 aos 14 e daí a maturidade. Cada uma dessas etapas de sete anos corresponde a um determinado estágio de desenvolvimento do corpo e da personalidade e a passagem de uma etapa para outra implica em uma crise e uma adaptação. Ao final dos sete anos, a criança vive uma crise de socialização; aos quatorze, a crise da sexualidade; e aos vinte a crise de identidade. Da mesma forma, a psicologia biográfica subdivide a fase adulta (21-42) e fase madura (42-63) em três etapas de 7 anos cada, com crises de transição.

Enquanto nos primeiros três setênios da vida o indivíduo vive um predomínio dos fatores biológicos sobre os subjetivos, ele terá também um período igual em que há um equilíbrio e um período de decadência biológica e oportunidade espiritual a partir dos 42 anos de idade. Neste último período, há um predomínio dos fatores subjetivos sobre os biológicos e as crises (ou mudanças cognitivas) são simétricas aos setênios da juventude. Dos 43 os 49, retornamos aos 14-21; dos 50 aos 56 de volta aos 7-14; e, finalmente, dos 57 aos 63, o período dos zero aos sete anos.
 

No texto Steiner e Biografia há um resumo de cada um dos setênio e as perguntas correspondentes a cada etapa, desenvolvidas pela Dra. Gudrun Burkhard, a grande codificadora da teoria biográfica, no livro Tomar a Vida nas próprias mãos (2000). Agora o importante é entender que a Personalidade se forma no primeiro período (0-21), geralmente se mantem equilibrada com a Individualidade no segundo (22-42) e começa a ser desconstruída no terceiro período (43-63). Aos 42 anos, há a possibilidade de construir uma alma imaginativa (ou manas) a partir do corpo astral (ou de reconstruir os aspectos emocionais da personalidade construídos na adolescência); aos 49 anos, há possibilidade de desenvolver uma alma inspirativa (ou buddhi) a partir da mente (ou de repensar os aspectos morais adquiridos dos sete aos 14); e aos 56, há possibilidade de formar uma alma intuitiva (ou atma) a partir do corpo vital (ou de reviver os aspectos mais profundos da formação da personalidade, moldados durante a primeira infância). Há um espelhamento dos três aspectos (motor, mental e emocional) da Personalidade entre a primeira e a última das etapas da vida.

Ao invés do desabrochar potencial de várias almas a partir dos diversos corpos esotéricos, como pensava Rudolf Steiner e a Dra. Gudrun Burkhard, pensa-se agora em termos de desenvolvimento de circuitos cerebrais da consciência e da reforma da Personalidade. Mas trata-se apenas de uma diferença de linguagem. O importante é a consciência das etapas e fases da vida, das crises etárias e possibilidades de mudanças pelas quais todos passam. E, é claro, das estratégias de desenvolvimento e objetivos de vida que traçamos para cada situação.

A recapitulação dos eventos da vida no estilo tolteca consiste em revisar a própria vida com ajuda da respiração visando resgatar a energia presa no passado. Recapitular é resgatar e desembaraçar a energia gasta com as feridas emocionais do passado, permitindo reestruturar a memória, para que possamos nos servir energia excedente para sonhar. Este processo também é chamado, principalmente nos primeiros livros de Castaneda de “apagando a história pessoal”.  Ela faz parte da Arte da Espreita, que em conjunto com a Arte do Sonhar, formam os dois pilares do xamanismo tolteca.

A recapitulação enquanto prática de re-organização da memória e expansão gradativa da consciência é bem detalhada no livro El camino tolteca de la recapitulacion, de Victor Sanches. Ela, ao contrário da reestruturação biográfica da Antroposofia, é realizada de trás para frente, do presente para o passado, através de listas específicas (locais, trabalhos, pessoas) com ênfase nos relacionamentos sexuais e nos conflitos com pequenos tiranos; e não é discursiva como a psicanálise. Aliás, é a fala que transforma a memória em narrativa, se simplesmente contarmos nossa estória, oscilaremos entre os papéis de vítima e de herói. Na recapitulação, por outro lado, feita em estado de silêncio interior, sem interlocutor ou escuta analítica externa, as lembranças emergem objetivas, permitindo a reintegração emocional dos momentos vividos com distanciamento, vistos de fora, como em um filme narrado por outro.

Advogo uma sobreposição dessas duas metodologias - da reestruturação biográfica através de setênios propostas pela Antroposofia e da recapitulação de eventos da vida no estilo tolteca - em um único processo de autoconhecimento. Nesse arranjo, a metodologia antroposófica serviria para organizar, através de entrevista biográfica, um roteiro completo de eventos para ser ‘navegado’ através da respiração tolteca, de regressão hipnótica e/ou do uso de plantas de poder em uma segunda etapa.

6) Da autonomia e da dependência recíproca. Somos partes de redes de relacionamentos de desenvolvimento espiritual. Para conseguir nos transformarmos precisa de energia. Ninguém pode se desenrolar sozinho das redes de relações em que se envolveu. Quando várias pessoas têm um propósito comum, a energia total é mais do que a energia individual de cada um. Esse ganho de energia propicia que cada um tenha mais energia para cumprir sua mudança do que se a tivesse intentado sozinho.

Por outro lado, se as pessoas se organizam em grupos e/ou em instituições, o ganho inicial acaba se tornando um capital coletivo e as pessoas passam a depender uma das outras, perdendo a autonomia e entrando na neurose.

Ou seja: a soma das partes (ou das energias individuais) é mais (autonomia) e menos (dependência) que o todo (ou da energia do grupo). Resumindo: recapitular sozinho é quase impossível (pelo menos inicialmente e por muito tempo), no entanto, a participação contínua em grupos de recapitulação (ou de Tensegridade) acaba por enquadrar a experiência e impedindo, durante períodos mais longos, o aprofundamento individual.
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Marcelo Bolshaw Gomes
Jornalista, professor de comunicação da UFRN, 
doutorando em ciências sociais, 
currículo Lattes: 
http://genos.cnpq.br:12010/dwlattes/owa/prc_imp_cv_int?f_cod=K4792219T9 

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