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Antropogonia na Música Ocidental


“Tenho uma sensualidade intensamente irritável, aguda e de uma voracidade feroz, e no entanto incomumente terna e delicada, a qual precisa ser estimulada, caso eu queira cumprir com a tarefa cruelmente difícil de criar em minha mente um mundo que não existe.” 
Wagner em 15.01.1854 

  Wagner teve em si uma espécie de poder cujo segredo reside em duas qualidades: perseverança e vontade. Muitas vezes, desencorajado, magoado, acreditou que a vida não pudesse ter senão novos tormentos, e entretanto depois de cada adversidade encontra na arte novo refúgio, o esquecimento completo das mesquinhezas do mundo.

  A produção musical de Wagner obedece à um ritmo interno que mais parece força da natureza que humana condição.

  E entretanto, ninguém mais que ele foi o herói de suas obras, o personagem de seus dramas. Ele, que procura eliminar de sua música tudo o que é subjetivo, ele que quer atingir o “Puramente Humano”, ou seja, extirpar de sua obra tudo que não diga respeito ao homem.
 

  É aqui que Wagner se irmana com aquele glorioso ser que o Oriente e os Adeptos de todas as épocas sempre conheceram e admiraram como o esplendor do mundo, o Iluminado por excelência, e que na sua última manifestação foi o Príncipe Siddharta, Sakhia Muni, Gautama, o Buda. Buda sempre foi, realmente, um dos maiores mistérios do Ocultismo em todas as escolas secretas do mundo, conhecido como o mistério do Buda, ao qual a insigne Helena Petrovna Blavatsky faz referências em vários volumes da Doutrina Secreta, principalmente no sexto e último.

  Gautama só se preocupou com a humanidade e com os meios de Iibertá-la dos sofrimentos, da roda dos nascimentos e das mortes, ensinando-lhes as 4 Grandes Verdades que dizem respeito à dor que tortura todos nós e que ainda nos há de torturar durante séculos e séculos. Ora, o fato de ensinar aos homens o verdadeiro caminho da libertação, que sempre foi a preocupação máxima do “Tatágata”, d’Aquele que segue as pegadas dos seus predecessores no Caminho da Eternidade, bem mostra ser Ele o Espírito da Humanidade na sua mais excelsa condição, pairando acima, muito acima dos planos da Mente.

  Assim, Gautama, o Buda é a sua própria síntese, a expressão que o coroa como reflexo ou vitória dos homens, vitória da própria humanidade por Ele expressa. Por esta razão, numa das suas palestras ou sermões, como dizem os livros que tratam da sua vida e dos seus ensinamentos, Ele, referindo-se à sua condição, diz a Ananda, um de seus discípulos: “Ananda, Eu sou um vitorioso”.
 

  Por esse motivo, Buda sempre se recusou a tratar das coisas que dizem respeito ao Universo, à evolução do Cosmos e a tudo que a ciência oculta possa tratar em relação à própria Vida Universal. Ele disse que ao homem convém saber o que é, e como se libertar desta escravidão que o traz agrilhoado à roda dos nascimentos. Este foi o seu grande trabalho. Ele sempre ensinou que é de maior interesse alcançar aquilo que está além desta consciência humana, que é diferente em cada vida, porque o homem está sempre se transformando; o homem de agora não é como o de há pouco, e o de amanhã é o efeito do de hoje.

  Esta transformação, esta impermanência, acabará criando em cada um de nós, uma consciência cósmica, fazendo todos idênticos a Ele, o “Tatágata”. Aí está em essência, o grande mistério da evolução e da imortalidade.
 
Wagner, procurou com sua música elevar a hierarquia humana, ou seja, como Gautama, o Buda, procurou dar aos homens uma consciência, que os fizesse compreender que em seu interior acha-se instalado um mecanismo arquetipal, capaz de libertar a consciência imortal de cada um de nós, que há milênios encontra-se aprisionada em nosso interior.
 
Em sua Ópera romântica em 3 atos, Lohengrin, Wagner, o Leão da Lei, nos mostra como as mazelas humanas, são um enorme entrave para a LEI realizar os seus planos na face da Terra:
 
“O 1º Ato abre-se em um prado às margens do Scheldt, perto de Antuérpia, na primeira metade do Século X. O Rei Henrique (o histórico Henrique, o caçador) veio ter a Antuérpia para exortar os brabantinos a ajudá-lo na defesa da Alemanha, contra a iminente invasão dos húngaros pelo leste. O arauto convoca os brabantinos às armas, porém um dos seus condes, Friedrich von Telramund, acusa Elsa pelo assassinato de seu próprio irmão Gottfried, herdeiro do ducado de Brabante, e reclama para si a sucessão.
 

Pressionada a se defender, Elsa apenas transmite a sua visão de um Cavaleiro andante. O Rei Henrique e os demais presentes ficam muito comovidos, mas Telramund não se deixa impressionar. Ele pede um julgamento por combate; então Elsa invoca o Cavaleiro de sua visão. Por duas vezes os arautos e trombeteiros soam o chamado, não há, porém, resposta. Elsa cai de joelhos rezando e, à distância, surge um Cavaleiro num barco puxado por um Cisne. Lohengrin se oferece como defensor de Elsa, mas a faz prometer que jamais procurará saber seu nome ou origem. Eles se prometem um ao outro e Telramund, desprezando os conselhos para que desista, se prepara para o combate.
 
Lohengrin derrota Telramund mas poupa-lhe a vida. Ortrud se pergunta quem seria esse forasteiro que torna nulos os seus poderes mágicos. Derrotado e humilhado, Telramund se atira a seus pés. 
 
O 2º Ato se desenrola na fortaleza de Antuérpia. Telramund censura Ortrud por sua desgraça: ela diz-lhe que o poder de Lohengrin seria anulado caso Elsa resolvesse perguntar o seu nome e origem. Ortrud dirige-se a Elsa, que surgira na sacada, e hipocritamente apela à sua natureza generosa. Quando Elsa desaparece para descer ao térreo, Ortrud invoca os deuses pagãos. Prostrando-se com afetação, perante Elsa, ela gradualmente a envenena com palavras, tecendo comentários sombrios sobre as misteriosas origem e aparência de Lohengrin. O arauto anuncia o banimento de Telramund e comunica que o estranho enviado de Deus deseja tomar, não o título de duque, porém o de protetor de Brabante; hoje ele celebrará o seu casamento, amanhã os conduzirá em batalha. O cortejo de casamento é interrompido por duas vezes, primeiro por Ortrud e depois por Telramund, que acusam veementemente Lohengrin de bruxaria. As suas exigências para que revelem o seu nome são repelidas por Lohengrin. Nenhum rei ou príncipe pode obrigá-lo, apenas Elsa tem tal poder. Ao voltar-se para sua noiva, entretanto, ele constata, com pasmo, que ela está agitada. Quando Elsa e Lohengrin chegam ao portal da igreja, ela olha para baixo e vê Ortrud erguer o braço em triunfo.
 

  O 3º Ato se inicia na câmara nupcial, onde Elsa incita Lohengrin para que conte o seu segredo e, a despeito de seus protestos e advertências, acaba por perguntar diretamente quem é ele. Telramund e seus asseclas invadem, neste instante, o aposento. Lohengrin abate Telramund e ordena que o seu corpo seja levado perante o trono para julgamento; lá ele responderá a pergunta de Elsa.
 
A cena 3 volta para as margens do Scheldt. O corpo encoberto de Telramund é trazido. Então chega Elsa, seguida por Lohengrin, que comunica ao rei não poder mais conduzir as suas tropas à batalha. Ele explica como matou Telramund em defesa própria e prossegue denunciando Elsa por romper o seu voto, obrigando-o agora a revelar a sua origem. Em sua narrativa ele conta que veio como um servidor do Santo Graal; a tais Cavaleiros é dado um poder invencível sob a condição de permanecerem no anonimato. Agora que o seu segredo foi revelado, ele deve retornar a Montsalvat. O seu pai é Parsifal e seu nome Lohengrin. O cisne reaparece puxando um barco vazio. Lohengrin revela a Elsa que, se tivessem vivido juntos um ano, o seu irmão Gottfried ser-lhe-ia devolvido e confia a ela a sua Espada, Anel e Trompa, para que sejam dados a Gottfried, no caso de algum dia voltar. Ortrud declara então que reconhece o cisne, pela corrente em volta do pescoço, como Gottfried em quem ela lançara um encanto; agora Elsa o perdeu para sempre. Lohengrin ajoelha-se numa prece silenciosa. Uma pomba branca desce do céu e adeja sobre o barco. Ao vê-la, Lohengrin solta a corrente em torno do cisne, que afunda. Em seu lugar surge um menino com vestes de prata brilhante: Gottfried. Lohengrin puxa-o para a margem e o proclama duque de Brabante. Ortrud desfalece, e, enquanto Lohengrin desaparece da vista, Elsa tomba morta.”

  A existência de Wagner, no sentido humano, foi fortemente marcada pelo seu extremo nacionalismo germânico. Acreditamos ter localizado a raiz desse nacionalismo nos seguintes fatos sobre a Alemanha ou o Sacro Império Romano da Nação Germânica: 
 
“Em 1681, Luís XIV havia usado da força para tomar a cidade imperial de Estrasburgo e, sete anos depois, iniciou uma guerra de conquista contra o Palatinado, que provocou uma aliança entre os príncipes alemães e todo o resto da Europa, com o objetivo de resistir à agressão francesa. Arriscando a perder tudo que havia conquistado, o governo em Paris resolveu-se por uma linha de ação de devastação total de uma região inteira (a primeira ocasião na história moderna em que semelhante política foi aplicada). Na segunda-feira de Pentecostes de 1689, às quatro horas da tarde, as cidades imperiais de Speyer, Worms e Oppenheim, que haviam declarado sua neutralidade e, pacificamente, aberto os portões aos franceses, foram sistematicamente incendiadas por membros do exército francês; a imponente catedral românica de Speyer foi parcialmente explodida, as tumbas dos imperadores alemães profanadas e os habitantes expulsos das cidades. Durante os meses que se seguiram, destino semelhante aguardava Heidelberg (cujas famosas ruínas do castelo têm uma origem nada romântica), ao mesmo tempo que dezenas de cidades e milhares de aldeias entre a fronteira francesa e o Reno eram rotineiramente devastadas e despovoadas.
 

Essa tática da terra arrasada, pseudo-racional, calculada com precisão e metodicamente executada gerou um estado de choque psíquico nos que foram por ela afetados, um choque que liberou um potencial de medo, ódio e falta de escrúpulos morais que, durante os dois séculos e meio seguintes, teve consequências devastadoras para o psiquismo social não só de suas vítimas, como daqueles que haviam sido os responsáveis por esse horror. A “inimizade hereditária” entre alemães e franceses data de 1689, uma inimizade que viria a se tornar uma obsessão  predominante por todo o século XIX.” 

  Portanto esses fatos de 1689, nos mostram que Luís XIV talvez tenha sido o responsável pelo “nacionalismo germânico”, do qual Wagner estava profundamente embebido e foi um dos que mais trabalharam, para a união dos povos germânicos num só país, a Alemanha. Mas o que era a Alemanha em 1689, quando Luís XIV, desenvolveu pela primeira vez na história moderna a política da terra arrasada?
 
Localizada no coração da Europa, a Alemanha, ou para dar-lhe seu nome oficial, o “Sacro Império Romano da Nação Germânica”, consistia em mais de 300 principados e cidades imperiais, seculares e eclesiásticas. Seu soberano geral, o imperador romano, era escolhido por sete Eleitores designados entre os príncipes alemães. (Após 1692, eram nove.) Apesar de reinar sobre o império, na prática o seu poder como soberano territorial limitava-se aos seus próprios principados, recebidos por herança. O império permanecia dentro do nível do desenvolvimento de um estado feudal medieval, unido por laços feudais meramente pessoais, enquanto os territórios governados pelos príncipes do império gradualmente assumiram  muitas das características ligadas aos estados territoriais modernos, cujo principal aspecto distintivo é a soberania exclusiva e indivisível. 
 

Não obstante as diferenças constitucionais entre eles, os estados que cercavam as fronteiras do império (especialmente os que ficavam a oeste) representavam esse tipo moderno de estado. A Reforma, além do mais, deixara a Alemanha dividida do ponto de vista confessional,  o  princípio  de cuius regio, eius religio significando que cada soberano territorial, incluindo até mesmo o principezinho mais insignificante, determinava a fé de seus súditos. Somente o imperador tinha de ser católico.
 
O insigne Professor Henrique José de Souza, nos conta ainda na Dhâranâ 110 de outubro a dezembro de 1941, o seguinte sobre a Reforma.
 
“...Afim de que o leitor possa melhor compreender todas essas coisas, temos que assinalar aqui uma velha corrente que permaneceu na Europa: é a dos cabeças duras, dos Germanos, dos homens de guerra, que tantas vezes invadiram Roma. Logo que o poder administrativo do Catolicismo chegou até eles, apoiado por indivíduos que não possuíam outro desejo, senão o de governar a seu bel-prazer (mal de sempre aliás), constituiu-se na Alemanha uma associação muito interessante de pessoas de todas as classes, a qual pretendia existir desde a época de Carlos Magno, e que tinha o nome de Franco-Juízes, Homens livres, independentes. Existem documentos dos X e XI séculos, que provam a existência de semelhante sociedade oculta, e nos quais o termo libertado aparece inúmeras vezes. E tal liberação dos espíritos possue tamanha força, que toda pessoa condenada pelos Franco-Juízes, era executada imediatamente, quaisquer que fossem seu poder e título.
 
Tão temível organização composta de nobres, de burgueses, como de gente do povo, vale a pena ser estudada, porque nós a encontraremos justamente na ocasião da Reforma. No antigo centro dos Franco-Juízes, na velha Germânia, alguns Iniciados tentaram várias experiências para libertar o espírito das multidões, por meio de uma reforma religiosa, os primeiros resultados foram lastimosos. Todos os reformadores que apareciam, eram logo gentilmente colhidos pela polícia romana e queimados em praça pública. Foi, por exemplo, o que aconteceu a Jean Huss e outros antecessores de Lutero.
 

Finalmente, foi organizado na Alemanha um movimento de maior vulto: o agrupamento secreto de todos os príncipes germânicos e senhores feudais, dominando estradas, rios etc., ocultos na sombra. Tudo isso foi auxiliado por agentes misteriosos, através desses Cantores ou Trovadores (muitas vezes investidos de missões secretas, por isso mesmo, portadores de notícias, mas também, de ordens... que eram dadas de uma maneira tão engenhosa, passando de localidade em localidade, castelo em castelo, como um tal Jean Bonnet (J e B...), que pagou caro a sua ousadia na corte de Luís XIV... Do mesmo modo que, por intermédio desses filósofos e maçons, a que nos temos referido anteriormente, passando de cidade em cidade, de vila em vila, aldeia em aldeia, etc. Desse movimento oculto se manifesta um agrupamento tão valioso, que o Papado logo envia seus soldados para se apoderar do monge Lutero, o que não consegue, porque, em torno do mesmo se encontravam, por sua vez, os soldados do Príncipe de Saxe, que não deixam passar os de Roma. Grande foi a agitação que se deu no Vaticano! Porém o mais assombroso ainda é que alguns meses depois, a metade da Alemanha era protestante, embora, bem difícil seja modificar de uma hora para outra as opiniões religiosas de um povo qualquer; quanto mais daquele... O movimento que se seguiu ao da Reforma, foi designado pelo nome de Revolução Francesa.”

  Os príncipes alemães travavam guerras e fechavam tratados não somente entre eles e com potências estrangeiras, mas até contra o imperador. A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) começou com uma desavença doméstica entre católicos e protestantes alemães, mas logo transformava-se num confronto entre todas as principais potências européias por uma hegemonia disputada, fundamentalmente, em solo alemão. Quando as hostilidades finalmente cessaram, metade da população alemã havia morrido, e o país estava devastado e na miséria, uma experiência traumática que, séculos depois, ainda marcava a consciência alemã. Até então, porém, o ressentimento não se dirigia contra nenhum vizinho em particular, uma vez que o aspecto confessional superava todos os demais.
 

  A Paz de Westfália, de 1648, deu ao rei da Suécia territórios dentro do império, de forma que, tal como o rei da Dinamarca, ele também tornou-se membro do império, França e Suécia dando apoio a uma constituição que, apesar de garantir a sobrevivência do império, na verdade cortava-lhe as asas. Impraticável em sua estrutura política, ele não se adequava a nenhuma teoria existente sobre os estados, e foi portanto descrito como uma “monstruosidade” (monstro simile) pelo jurista Samuel Pufendorf (1632-1694).

  Nessas circunstâncias, o senso de identidade nacional alemã estava fadado a ser diferente do de outras nações, especialmente as da Europa ocidental, na medida em que se baseava na idéia do império, na cultura alemã e na língua alemã, mas não em nenhum território ou razão de estado bem definidos.

  De um ponto de vista psicológico, 1689 iria demonstrar ser um ano de importância crucial na história da Europa: (como 1789, cem anos depois, também o foi, dizemos nós.) sob uma série de monarcas absolutos, a França, o mais moderno e poderoso estado europeu, havia desenvolvido gradualmente uma política de expansão imperialistas, ampliando seus territórios à custa de seus vizinhos, independente de sua nacionalidade, em especial aqueles que eram membros do Sacro Império Romano.

  Através dos dois séculos seguintes, todos os importantes conflitos europeus foram travados em solo alemão, a instabilidade da estrutura de poder do império quase que literalmente convidando os invasores, enquanto Áustria e Prússia, as duas principais potências germânicas, disputavam  a hegemonia. 
 

  Estados alemães e não-alemães (Áustria e Hungria, Saxônia e Polônia, Hanover e Inglaterra, Holstein e Dinamarca, Pomerânia e Suécia), formavam uniões monárquicas isoladas, com uma tendência a uma união real e permanente. Os muito pequenos estados alemães só podiam sobreviver através da formação de alianças com outros estados, alemães ou estrangeiros.

  Por volta do final do século XVIII, a maioria desses estados notabilizava-se, em termos de realidade social, pelo absolutismo esclarecido de seus governantes e até mesmo por seu racionalismo anticlerical, mas principalmente por suas estruturas legais e de propriedade feudalistas. O poder era geralmente investido em corpos administrativos burocráticos, de estrutura rígida, e em instituições militares dirigidas pela aristocracia. A Alemanha ainda era um país agrícola. De uma população de cerca de 23 milhões de pessoas, menos de um quarto vivia em grandes cidades, das quais apenas duas, Viena e Berlim, tinham mais de 100.000 habitantes. 
 

A maior parte da população rural vivia em um estado de dependência feudal, os ofícios eram protegidos (de forma proibitiva) pelo sistema de guildas e suas constituições, e apesar destas últimas não terem como impedir a indústria fabril de evoluir, conseguiram deter seu crescimento graças aos laços feudais que prendiam o campesinato ao solo. Uma pré-condição para o progresso econômico e social era a liberdade de comércio e a emancipação dos camponeses (que compunham a maioria da população) de seus grilhões feudais. A classe média, emergindo lentamente como um grupo social no cenário internacional, ainda não era capaz de exercer qualquer influência decisiva em países amplamente agrícolas, nos quais as cidades eram geralmente de pequeno tamanho. 

Apoiando-se defensivamente nos “velhos direitos” tradicionais, incluindo os direitos das cidades e os privilégios dos patrícios e das guildas, ela tentou, em vez disso, opor-se às reivindicações de poder do principado absolutista, sem ser capaz de livrar-se de uma perspectiva basicamente passadista.

  A cultura da classe social dominante, em outras palavras, dos príncipes e da aristocracia, estava inteiramente sujeita às influências francesa e italiana, de forma que a burguesia, com sua emergente consciência cultural, encarava príncipes como Frederico “O Grande”, que escrevia melhor em francês do que em alemão, como representantes de um imperialismo cultural descrito como Welsch, em outras palavras, romanesco. Schiller refere-se a essa atitude em seu poema Die deutsche Muse (A musa alemã).
 

   Nem da Era de Augusto o esplendor, E nem dos Medici o favor, Sorriram para a arte tudesca; Nunca lhe prestaram homenagem. E quando se abriu, flor e folhagem, Não obteve a graça principesca. Do filho germânico o mais rico, Do trono do grande Frederico, Só lhe veio desprezo e opróbrio. Mas com força bate o coração, E diz orgulhoso o alemão: Temos o nosso mérito próprio!   Em janeiro de 1867, Wagner expressou essa mesma idéia, ao compor estes versos da fala final de Sachs ao povo de Nuremberg: literalmente, “com falsa, romanesca majestade, príncipe algum saberá entender logo o seu povo; implantarão, com futilidades romanescas, uma atmosfera romanesca em nossa terra alemã.”
  
A Revolução Francesa de 1789, a princípio recebeu o apoio ativo dos membros das classes médias alemãs, especialmente nas partes ocidentais do império, apesar de que até mesmo os camponeses da Saxônia se ergueram em revolta, e tiveram de ser contidos pela força militar. Não obstante, quando o novo governo revolucionário francês exigiu “fronteiras naturais” em 1792, adotando uma estratégia de “libertação através de missionários armados” e anexando a parte ocidental alemã do Reno, voltou a despertar na memória alemã o choque que o país sofrera em 1689. 

O império napoleônico, com suas pretensões a domínio mundial, finalmente destruiu a estrutura do Sacro Império Romano, entre 1804 e 1806, substituindo seu sistema de miríades de estados, naquelas áreas da Alemanha que não haviam sido diretamente anexadas, pelo chamado Rheinbund, um grupo de estados “centrais”, recém-formados e dependentes, enquanto a Áustria e a Prússia eram empurradas para leste: a Alemanha foi dividida, constitucionalmente, em quatro partes, e agora não passava de um conceito geográfico. O feudalismo foi formalmente abolido nas áreas cedidas à França. 
 

Em 1803, pelos termos do decreto conclusivo de uma comissão especial da Dieta Imperial, os príncipes alemães despojados da margem ocidental do Reno foram compensados por suas perdas pela concessão de propriedades secularizadas da igreja, enquanto os territórios seculares menores eram reduzidos à condição de vassalagem mediata e privados de seus direitos governamentais, minando dessa forma a base política do feudalismo também no resto da Alemanha. Uma consequência disso foi a emancipação do campesinato na Prússia, onde os laços feudais pessoais foram abolidos, abrindo o caminho para o crescimento de uma classe de trabalhadores assalariados “livres” e, daí, para o processo de industrialização.

  Apesar de a Revolução Francesa ter despertado na classe média alemã um senso de consciência nacional e política, a degeneração da Revolução forçou-a a uma aliança fatal com os poderes aristocráticos, governantes na Áustria e na Prússia, que eram ambos estados feudais passando por um processo de reforma sob a pressão das circunstâncias. Mas o imperialismo francês não só tornou uma união de aspirações democráticas e nacionais politicamente impossível, como também converteu-a em algo ideologicamente suspeito. Assim, as posições alemãs viram-se afetadas durante todo o decorrer do século XIX, fazendo com  que  grandes  setores  das classes cultas alemãs renunciassem à luta por responsabilidade política. Por volta de 1802, Schiller escreveu um esboço inacabado chamado “Grandeza Alemã”: 

  “O império alemão e a nação alemã são duas coisas diferentes. A majestade dos alemães nunca repousou sobre a cabeça de seus príncipes. Os alemães estabeleceram o seu próprio valor independente, bastante isolado de qualquer valor político, e ainda que o Sacro Império Romano se reduzisse a pó, a dignidade alemã continuaria incontestada. Ela é uma entidade moral, vivendo na cultura e no caráter da nação, e que é independente de todas as vicissitudes políticas.”

  Essa mesma idéia retorna ao final de um manuscrito de Wagner, de 1845, para Os mestres cantores de Nuremberg. (Os versos em questão foram acrescentados em alguma data entre julho de 1845 e dezembro de 1848.)
 

  Se o Sacro Império Romano se desfizesse em fumaça, ainda nos restaria a sagrada arte alemã. Daqui chega-se em linha reta ao que Thomas Mann chamou de “internalização protegida por um estado forte” por parte dos filisteus “apolíticos” da cultura alemã no início do século XX. A Guerra de Libertação de 1813-1814, dessa forma, tornou-se não apenas uma luta pela sobrevivência nacional alemã mas, fica subentendido, uma luta pela sobrevivência do principado neo-absolutista. O Congresso de Viena, reunido pelas potências européias vitoriosas, Rússia, Inglaterra, Áustria e Prússia, sancionou a supremacia de forças conservadoras, reacionárias. As exigências do movimento de libertação nacional da classe média democrática, que havia ajudado a derrubar a hegemonia francesa, foram ignoradas, e o Sacro Império Romano foi suplantado por uma “Confederação Germânica” de 39 estados alemães soberanos, enquanto os democratas recebiam a promessa de “constituições”. 

O estado absolutista, porém, permaneceu em grande parte inalterado.
A existência de Wagner, no sentido teatral, é uma repetição de sua obra. Inventor de dramas e criador de heróis, Wagner começa por representar a própria vida e para completá-la, vive sucessiva ou simultaneamente, uma quantidade de personagens, dando-se em holocausto ao representar seus dramas e personagens para mostrar a hierarquia humana os seus males e os meios de neutralizá-los.    
 
Ninguém poderia saber o quanto o fim estava perto, quando, na noite de 12 de fevereiro de 1883, Paul von Joukowsky fez o seu desenho de Wagner  com os dizeres “R. lendo”, escritos por Cosima, (esposa) esse desenho mostra os olhos aparentemente fechados, o cenho franzido, mas a expressão pacífica. No dia seguinte, Wagner sofreria o seu ataque cardíaco fatal.
 

  Conta-se que a jovem soprano inglesa Carrie Pringle, que participou das récitas de Parsifal, em Bayreuth, em 1882, anunciou que faria uma visita a Wagner. O anúncio da visita dessa jovem parece ter provocado uma briga furiosa entre Wagner e Cosima que levou o compositor ao seu ataque cardíaco fatal. Portanto, Wagner, o Leão da Lei, morre a 13 de fevereiro de 1883, de infarto. 

Enterram-no em Bayreuth, no jardim de sua vila de Vahnfried. Wagner havia feito cavar seu túmulo sob uma simples pedra, um grande bloco de mármore, sem inscrição, sem epitáfio. 
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