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Metamorfoses do Vampiro
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Li numa revista que a moda do piercing já não contenta as adolescentes radicais. Aderem a coisas bem mais aflitivas, como o “tongue-splitting”: a bifurcação da língua por meios cirúrgicos. Pode parecer gratuito, além de provavelmente doloroso: que sentido haveria em sair por aí com um linguazinha de réptil assustando os incautos? 

Faz todo o sentido para Justin Purdell, que, além de ter a língua bifurcada, implantou uma espécie de escova de teflon no couro cabeludo, simulando o corte “moicano”. O rapaz pertence à tribo dos “vampyres”, com y, de Nova Jersey. Não são muitos, por enquanto, mas um dos membros mais entusiastas do grupo, Andrew Lawrence , já implantou também dois chifres na testa, sem contar, é claro, os caninos de praxe. 

Mas essa é só a ponta mais bizarra e extrema de uma onda “vampírica” que se origina nos movimentos dark e gótico dos anos 80. Não me perguntem qual a diferença entre os darks e os góticos: meus conhecimentos a respeito de cultura jovem param por aqui. Reproduzo apenas as informações de um artigo de José Octavio Stevaux Galvão, “A Atual Subcultura Vampírica”, incluído num livro muito interessante, “Voivode: Estudos sobre Vampiros”. 

O sensacionalismo desses primeiros parágrafos não faz justiça ao livro, organizado com apuro e seriedade por Cid Vale Ferreira. Verdade que a capa é acintosa – imagine uma foto em close de dentes de vampiro num anúncio contra o tabagismo - que há um prefácio de José Mojica Marins e que o volume é resultado da colaboração entre a editora Pandemonium e a revista eletrônica Carcasse.com. 

Se “Voivode” faz assim algumas concessões ao que há de mais obviamente arrepiante no tema, os textos ali reunidos vão muito além do gosto adolescente pelo exótico e pelo “trash”. Uma extensa parte do livro é dedicada a uma antologia da literatura vampiresca em língua portuguesa, com poemas de Silva Alvarenga (1758-1814), Alberto de Oliveira (1857-1937) e Cruz e Souza (1861-1898), entre outros. 

Outra seção do livro reúne documentos históricos. Começa com um relato de 1488 sobre os hediondos mitos do “voivode” Vlad 3º, vulgo “Drauclya”, o “filho do Dragão”.  
 

“Voivode” é o título com que se designavam os soberanos da Moldávia, da Transilvânia e da Valáquia. Difícil saber o quanto as violências protagonizadas por Vlad 3º fogem ao padrão dos tiranos da época. 

É no século 18 que surgem, na verdade, relatos de vampirismo mais próximos daquilo que conhecemos pelos filmes de terror. 
 

O livro reproduz vários textos fascinantes: do ingênuo relatório do oficial austríaco Johannes Fluchtinger, de 1732, às primeiras contestações iluministas da lenda, escritas pelo Marquês d’Argens em 1736 e por dois clérigos: o arcebispo Davanzati (“Dissetazione sopra di Vampiri”, de 1744, escrita por encomenda do papa Bento 14º) e o abade beneditino Augustin Calmet, em 1746. 

As críticas iluministas se mostram, em alguns momentos, quase tão simplórias quanto as lendas que queriam combater. Muito sintomático é um texto de Voltaire, “Vampiros”, também reproduzido aqui, em que o campeão das luzes usa e abusa da mais completa desonestidade intelectual – com efeitos divertidíssimos, é claro. 

No século 18, os vampiros estavam longe de ter, em todo caso, o charme que lhes atribuímos hoje. Um dos casos relatados por Fluchtinger dá conta de uma velhota Miliza, que, quando viva, sempre fora “muito magra e ressecada”. Aberto o seu túmulo, encontraram-na corada, ostentando “admirável corpulência”... 

O abade Calmet balança a cabeça: “A imaginação daqueles que acreditam que os mortos mastigam dentro de seus túmulos, fazendo um barulho parecido aquele que os porcos fazem quando comem, é tão ridícula que não merece ser seriamente discutida”. 

Há uma enorme distância entre essa superstição de camponeses – “rudes e idiotas”, diz o arcebispo Davanzati – e o soturno encanto que emana dos condes de sobrecasaca e suas fatais concubinas. 

Os vampiros se aristocratizaram, é certo, por obra do próprio movimento romântico, ambiguamente nostálgico da nobreza em derrocada e crítico de seu parasitismo social. Que o vampiro seja um parasita é mais do que óbvio – é como se a lenda tivesse sido inventada apenas para esse fim de comparação; como se o seu sentido figurado precedesse ao sentido literal. 

Volto então aos adolescentes. Será o vampiro – seu culto – uma projeção da falta de lugar deles próprios na sociedade? Simplismo excessivo de minha parte, com certeza. 
 

Há outras coisas em jogo. Claro, o culto à juventude eterna. Sem dúvida, a ligação entre sexo e morte, entre lubricidade e frieza, como bem diz o organizador do livro, tem na figura do vampiro um símbolo poderoso. 

Penso porém, em outra relação, que atinge em cheio os adolescentes hoje em dia: a que associa depressão e dependência química. A necessidade de sangue (quem, nas lendas camponesas, era figuração da fome, e que, do romantismo em diante, sublimou o desejo sexual) hoje talvez represente algo mais abstrato; necessidade de ter necessidade, desejo de um desejo. Abstinências, anorexias, fissuras, desânimos se estetizam: e eis que, em cada espelho onde um adolescente tem dificuldade em encontrar seu próprio reflexo, renasce o vampiro numa nova versão. 
  
 

 
 
 
  
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